Supremo decide que todos ministros votarão para definir pena de Collor
Sentença será definida em sessão na próxima quarta-feira
Sentença será definida em sessão na próxima quarta-feira
O Supremo Tribunal
Federal (STF) decidiu, nesta quinta-feira (25), que todos os ministros da Corte
vão votar para definir a pena do ex-senador e ex-presidente da República
Fernando Collor, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na
Operação Lava Jato. A votação será na próxima quarta-feira (31).
Na sessão desta quinta-feira,
a sexta destinada ao julgamento, após decidir pela condenação do ex-senador, o
plenário definiu que os ministros que votaram para absolver Collor das
acusações também poderão se manifestar sobre a dosimetria da pena, o cálculo
que define a sentença final que deverá ser cumprida.
Durante o julgamento,
o relator, ministro Edson Fachin, entendeu que os colegas que se manifestaram
pela absolvição da Collor não podem votar na dosimetria. Contudo, o
entendimento ficou vencido por 7 votos a 2.
O ministro Dias
Toffoli defendeu que os membros do tribunal não podem ser impedidos de votar.
Toffoli afirmou que, no julgamento do mensalão, chegou a votar para condenar
ex-presidente do PT José Genoino para poder participar da votação da pena.
"Votei em
alguns casos da Ação Penal 470 para condenar e participar da dosimetria, para
poder influenciar, já que me tiraram o direito de absolver. Somos um colegiado,
e ninguém pode tirar o voto de ninguém. Nós somos iguais", afirmou.
Toffoli também
falou em "corrigir injustiças" que foram feitas pelo STF.
"Nós estamos a
corrigir injustiças que foram feitas e não temos que ter vergonha de pedir
desculpas de erros judiciais que cometemos. Estamos aqui a corrigir injustiças,
e pessoas sofreram por injustiças que cometemos no passado", completou.
Além do relator,
também votaram pela condenação de Collor os ministros Alexandre de Moraes,
André Mendonça, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e
Rosa Weber.
Nunes Marques e
Gilmar Mendes votaram pela absolvição.
Condenação
No início da
sessão, o Supremo, por 8 votos a 2, decidiu condenar Fernando Collor.
Para o tribunal,
como antigo dirigente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Collor foi
responsável por indicações políticas para a BR Distribuidora, empresa
subsidiária da Petrobras, e recebeu R$ 20 milhões em vantagens indevidas em
contratos da empresa. Os crimes teriam ocorrido entre 2010 e 2014.
Defesa
Durante o
julgamento, o advogado Marcelo Bessa pediu a absolvição de Collor. A defesa
alegou que as acusações da PGR estão baseadas em depoimentos de delação
premiada e não foram apresentadas provas que incriminassem o ex-senador.
Bessa também negou
que Collor tenha sido responsável pela indicação de diretores da empresa.
Segundo o advogado, os delatores acusaram Collor com base em comentários de
terceiros.
"Não há nenhuma prova idônea que corrobore essa versão do Ministério Público. Se tem aqui uma versão posta, única e exclusivamente, por colaboradores premiados, que não dizem que a arrecadação desses valores teria relação com Collor ou com suposta intermediação desse contrato de embandeiramento", finalizou.
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